sábado, 3 de julho de 2010

Sorte grande!



Desde o início dos trabalhos com Embriologia, nós do Guará, gostaríamos de poder levar nossos alunos ao cinema. Mas para isso, seria necessário que houvesse algum filme em cartaz relacionado ao tema do curso. Como de início não havia nenhum, seguimos em frente com o conteúdo utilizando diversos filmes e outras mídias no ambiente de sala de aula mesmo. Foi então que lá pela 10ª aula ficamos sabendo sobre um filme que iria estrear em junho de 2010 chamado "Plano B". O filme conta a história de uma mulher, Zoe, que decide fazer uma inseminação artificial pois, apesar de não ter encontrado "o cara ideal", queria muito ser mãe. "Se apaixonar*. Casar. Ter um filho. *Não necessariamente nessa ordem" resume o enredo do filme, pois logo após ter feito a inseminação artificial, Zoe conhece Stan e se apaixona por ele.

Digo que tiramos a sorte grande porque, somente após muitas discussões sobre gravidez e assuntos correlacionados, o filme foi lançado, e então na nossa 13ª aula, no dia 24/06, é que fomos ao cinema. Desta maneira, o filme serviu para revisar e fixar alguns dos conteúdos que já tínhamos trabalhado em sala de aula, como gametogênese, fecundação, anexos embrionários, gravidez gemelar, tipos de parto (normal e na água - sobre os quais já tínhamos mostrado vídeos na aula de partos, inclusive no filme "Ligeiramente Grávidos") e principalmente sobre as alterações hormonais, físicas, psicológicas e as responsabilidades que uma gravidez e consequentemente os filhos trazem para a vida dos pais (assunto que trabalhamos com o filme "Nove Meses").

A experiência deu muito certo, pois aproximadamente vinte e quatro alunos puderam comparecer, o que representa a maioria dos que continuaram no curso. O gênero do filme também ajudou muito, pois, por ele ser muito engraçado, os alunos se identificaram. Eles se divertiram e aproveitaram o passeio, tanto no sentido lúdico quanto para aprimorar o aprendizado, e isso nos deu uma grande satisfação! Com certeza iremos repetir em outras oportunidades!

Crescimento e amadurecimento




Quem, entre aqueles que liam e gostavam dos gibis da Turma da Mônica, como eu, não pensaram: "Como seria legal ler uma história com todos mais velhos" ou "Quantas vezes a Mônica vai comemorar seu aniversário de 7 anos"? Em 2008 a Editora Maurício de Sousa lançou a Turma da Mônica Jovem, que atende aos sonhos de todos os fãs da Turminha. Essa nova proposta traz histórias adaptadas ao estilo mangá - que visivelmente agrada mais essa nova geração de crianças, adolescentes e jovens - portanto utiliza uma linguagem, tanto visual quanto escrita, bastante diferente do que os leitores estavam acostumados. É realmente uma proposta ousada e inovadora! Além disso, é muito interessante ver como o desenho das personagens mudou sem perder algumas características individuais que nos encanta em cada uma e ajuda a identificá-las.

Esse novo estilo pode ser aproveitado pelos professores de Biologia que querem trabalhar com alterações hormonais antes e durante a adolescência. A primeira edição da série destaca no seu início todas as mudanças psicológicas e físicas que ocorreram com a Mônica, o Cascão, a Magali e o "Cebola" (não mais Cebolinha!!). No Guará, utilizamos a história "Onze coisas que as garotas amam!!", que em seu enredo tem uma parte em que a mãe da Mônica explica sobre o que são os hormônios e as consequências de sua atuação no corpo das adolescentes. Então, fizemos a leitura dessa história com os alunos, pedindo voluntários para ler as falas de uma personagem específica, introduzindo assim o assunto de hormônios e ciclo menstrual que tratamos depois em uma aula expositiva.



Foi a primeira vez que usamos uma história em quadrinhos no Guará, o que provocou agitação entre os alunos, que além de se interessarem pelo conteúdo, ainda gostaram de ver o que aconteceu com a nossa tão querida Turminha.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A ILHA- Filme








O Filme A Ilha é uma ótima oportunidade de discutir sobre questões científicas, éticas, culturais e religiosas ligadas à clonagem humana já que o debate sobre a engenharia genética ganhou mais espaço a partir do nascimento, em 1996, de Dolly, o primeiro mamífero clonado. A ovelha morreu em fevereiro de 2003, mas as pesquisas e controvérsias em torno da clonagem estão apenas começando.O longa-metragem se passa em torno do personagem Lincoln que sonha em ser escolhido para ir para "A Ilha" – dita o único lugar descontaminado no planeta. Mas Lincoln logo descobre que tudo sobre sua existência é uma mentira. Ele e todos os outros habitantes do complexo são na verdade clones cujo único propósito é fornecer “partes sobressalentes” para seus humanos originais. Entendendo-se o conhecimento científico como
uma das fontes e formas de interpretar a realidade, o filme propicia aos alunos um diálogo
entre diferentes formas de conhecimento, fazendo uma ponte entre ficção e realidade, fortalecendo a sala de aula como espaço de discussão e reflexão,entre elas:Quais valores são possíveis de perceber nos clones? Que fatores éticos o filme aborda?Como me posiciono sobre o transplante de órgãos a partir de clones, como retrata o filme?Que conceitos genética e de biotecnologia posso abordar?
.Enfim, '' A Ilha'' é um excelente recurso didático onde podemos debater diversas questões não apenas biológicas,mas também éticas acerca de uma assunto tão polêmico.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

C.E.M. 414 de Samambaia



Estamos terminando os trabalhos na Samambaia. Durante o semestre abordamos os assuntos de Meio Ambiente, Evolução e Genética de uma maneira mais diferente, descontraída e divertida utilizando música, filmes e quadrinhos.

No primeiro ciclo, Meio Ambiente, utilizamos o filme ‘’Os sem floresta’’, alguns quadrinhos e charges falando sobre o desmatamento e a invasão do homem no ambiente natural. No final do ciclo os alunos também fizeram quadrinhos e charges falando sobre o conteúdo visto.

No segundo ciclo, Evolução, trabalhamos com o filme X-men falando sobre a evolução das espécies dando foco no ser humano. Fizemos um jogo dos erros com o filme 10000 AC mostrando os erros históricos e evolutivos do filme e no final os alunos produziram um jornal que colocamos no mural em exposição.

No terceiro ciclo, Genética, vimos o filme Gattaca e o discutimos. Estamos no final desse ciclo e nessa ultima aula antes do encerramento (onde estarão expostos todos os trabalhos) os alunos trabalharão com a música ‘’Malditos cromossomos” da Pitty e em seqüência farão uma música que fale sobre genética.



Os alunos estão gostando muito pois estão se divertindo enquanto aprendem, quebrando um pouco essa rotina de quadro e giz. E o melhor disso é que além de ensinar nós também aprendemos.
Pedro Henrique

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Música e (é) matemática!





O vídeo acima vai levar todos os que se deixam tocar pela música e pela ciência em estado de encantamento. Trata-se de uma demonstração feita por Bobby McFerrin, cantor e compositor britânico radicado nos EUA, sobre a escala pentatônica, num debate entre ele e três neurocientistas, realizado no World Science Festival.

Meus estudos de música já aconteceram há muitos anos, e tive que buscar informações para me lembrar do que eram as escalas pentatônicas. Para quem quiser saber mais e melhor sobre elas, sugiro o link da wikipédia em inglês. Ele é mais completo do que o verbete em português que, entretanto, dá uma idéia bastante boa do que se trata. Basicamente, as escalas pentatônicas (que McFerrin não explica, mas demonstra, em sua apresentação) são escalas formadas por cinco notas ou tons musicais, muito usadas na música folclórica e popular de diversos países, no rock e no jazz. A razão de seu sucesso é o fato de serem tão intuitivas, como nos mostra McFerrin de maneira encantadora e simples. Ele começa a demonstração ensinando duas notas para o público e quando percebe que todos repetem o que foi solicitado, sem hesitação, propõe um teste, que revela que, já sabendo o que fazer, os cérebros das pessoas do público foram capazes de antecipar o som da terceira nota, que ele não canta. Em seguida, McFerrin vai tornando a melodia mais complexa, por meio do mesmo método, produzindo um irrefreável encantamento em quem assiste.

McFerrin quer mostrar que parece que existem, em nosso cérebro, mecanismos inatos que produzem expectativas a respeito de coisas que ainda não vimos (ou escutamos). Encontrei outro post muito interessante sobre o assunto no blog de divulgação científica Ciência na Mídia, no qual a autora, Tatiana Nahas, uma neurocientista, compara as expectativas auditivas às clássicas expectativas visuais.

A apresentação pode ser usada em aulas de matemática (para falar das escalas pentatônicas e de Pitágoras, a quem elas são atribuídas) e neurociências. O professor de música , sem dúvida, ficaria feliz de participar do projeto. Mas pode, mais do que tudo, ser usada para provocar o mesmo encantamento que senti em todas as cento e cinquenta vezes em que o assisti.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Criação de quadrinhos

O projeto Biologia Animada procura utilizar diversos tipos de mídias para ensinar Biologia. Entre estas mídias estão as histórias em quadrinhos (HQs), úteis para nós porque levam aos alunos um mundo ilustrado e colorido, com diálogos simples e divertidos. Porém, elas normalmente são menos exploradas devido à dificuldade de encontrar histórias prontas que abordem o conteúdo que se deseja utilizar em sala de aula. No Guará mesmo, nós trabalhamos com Embriologia e estamos achando difícil encontrar HQs com mulheres grávidas (inclusive aceitamos sugestões ^^). Por isso, muitos de nós já pedimos para que os próprios alunos produzam algum tipo de história em quadrinhos relacionadas com os conteúdos dos cursos, pois assim, além de solucionar as dificuldades citadas acima, ainda estimulamos a criatividade destes alunos.

 
Pensando nessas situações em que pedimos aos alunos para produzir, venho trazer algumas sugestões de ferramentas para a criação de quadrinhos. As ferramentas atuais são amplas, basta pesquisar no Google para verificar. O site Baixaki, por exemplo, oferece várias sugestões de programas que podem ser baixados no próprio site, além de outros mecanismos de criação de quadrinhos on-line. Uma das sugestões que ele oferece é o site Pixton. Esse site é revolucionário para todos aqueles que não tem habilidade em desenhar, pois permite a criação de personagens e a edição das características e das expressões faciais e corporais desses personagens. Você pode, por exemplo, usar o mesmo personagem em quadrinhos seguidos, e com apenas um clique mudar suas expressões. Uma das limitações desse site é que ele fica sempre oferecendo alguns itens de desenho para comprar, porém é possível criar histórias excelentes com os itens gratuitos. Abaixo tem um exemplo de quadrinho que eu criei usando o PIXTON. Saiba mais sobre os recursos do Pixton aqui.

 
 
Mas eu aconselho que antes de incentivar os alunos a começarem a produção, devemos orientá-los sobre algumas regras básicas dos quadrinhos. No site Divertudo podemos encontrar uma animação com algumas dessas regras. Uma dica que não é comentada nesse site é sobre o fluxo de leitura dos quadrinhos, que é uma das regras mais importantes. Por convenção, os quadrinhos ocidentais (pois os mangás são diferentes nesse quesito) são sempre orientados e lidos da esquerda para a direita e então de cima para baixo. Os próprios leitores já internalizaram essas regras, e as seguem sem perceber. Para balões de fala também há um fluxo internalizado: a primeira fala vem acima, e as seguintes em baixo, na ordem, mesmo que o primeiro personagem a falar seja o da direita. Tudo isso para evitar configurações confusas de leitura, como a exemplificada abaixo:

 

 
Para dicas como a acima e para quem tiver interesse em se aprofundar na fabricação de HQs, um livro que ensina algumas dicas de forma dinâmica é o "Desenhando Quadrinhos" de Scott McCloud. Este livro ensina a:
  • Escolher os momentos certos para dar clareza e força a suas idéias;
  • Enquadrar ações e guiar os olhos do leitor ao longo das páginas;
  • Escolher palavras e imagens que se intercomuniquem;
  • Criar personagens variados e atraentes;
  • Dominar a linguagem corporal e as expressões faciais;
  • Criar mundos ricos e críveis para seus leitores explorarem;
  • Escolher as ferramentas certas para você;
  • Navegar pelo vasto mundo de estilos e gêneros de quadrinhos.

 
 
Claro que não podemos subestimar os quadrinhos criados à mão e não podemos desestimular aqueles que quiserem fabricar suas histórias dessa maneira. Porém para aqueles que não tem habilidades para desenhar e a criatividade borbulhando, as dicas acima são muito válidas.

 

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Sobre assuntos polêmicos.


Conversar sobre assuntos polêmicos é sempre muito difícil e acaba não levando a conclusão alguma, porque sempre tendem a gerar opiniões diversificadas, seja por razões políticas, ideológicas, por dogmas, etc…
Se conversar sobre tais assuntos é difícil imaginem o que não será dar uma aula sobre um tema polêmico, que envolva questões religiosas, como a teoria da evolução; o aborto; o uso de camisinha, condenado por algumas Igrejas; a utilização de embriões na pesquisa e na terapia com células-tronco, entre outras.
O professor tem que ser muito responsável nesse momento, pois ele, às vezes inconscientemente, acaba se transformando em um formador de identidade e, por conseqüência, de opiniões. Esse professor tem que agir de modo a não induzir o aluno a ter um pensamento idêntico ao seu. Nesse caso, cabe ao professor simplesmente expor todos os fatos, os dois lados da moeda, e deixar o aluno pensar por si só e construir uma opinião própria.
No dia 29 de abril, nós do Ced. 03 do Guará passamos por isso. O tema que estamos trabalhando nesse semestre é embriologia, e ao chegarmos na parte de segmentação e gastrulação, não podíamos deixar de falar sobre células-tronco.
A grande dúvida que surgiu com a descoberta do poder dessas células é a seguinte: ” A partir de qual momento um aglomerado de células pode ser considerado vida?”. Muitas Igrejas condenam duramente a utilização de embriões nas pesquisas por considerarem-na um assassinato. Até dentro da própria comunidade científica surgiram divergências sobre as questões éticas envolvidas nessas pesquisas.
Então tínhamos que tratar esse assunto com muito cuidado para não induzirmos os alunos a nenhuma conclusão precipitada a respeito de um ponto tão delicado. Nesse contexto, resolvemos dar uma boa aula sobre essas células, abordando a sua biologia, quais a principais células, onde podemos encontrá-las e principalmente a importância delas, os tratamentos já existentes, o andamento das pesquisas em outros países e as descobertas mais recentes. Em relação à polêmica, explicamos qual o motivo das discussões, as alegações dos dois lados, e mostramos aos alunos diversas perguntas feitas por alguns dos protagonistas desse embate:
· "Será que é mesmo certo utilizarmos uma vida humana para salvar outras?"
· "O que define uma vida humana?"
· Será que um "aglomerado de células" é uma "vida"?
· A maioria das religiões considera "morto" um ser cujo cérebro parou de funcionar. Por que considerar um embrião como "vivo" se ele ainda nem possui neurônios?
E para saber a opinião dos alunos fizemos a seguinte atividade, exibimos algumas charges sobre o tema e pedimos para cada um deles escrever em uma folha de papel uma crítica para cada charge. Dessas charges, uma menospreza a inteligência dos políticos, outras criticam a Igreja e seus dogmas, e uma delas, em especial, ataca severamente as crenças e seus seguidores.
Em relação a essa charge, vista acima, aproximadamente 80% dos alunos simplesmente escreveram a mensagem que a charge trazia, não expressando uma opinião pessoal sobre ela. Dos 20 % que realmente fizeram uma crítica, somente cerca de 25% foram contra a opinião do chargista e 75% contra a opinião da Igreja. Entre esses comentários, tivemos alguns que se destacaram. Ei-los:
“Ela afronta a religião. Isso mostra como o uso das células-tronco traz conflito para a sociedade.”
“Deve-se usar a lógica e não as crenças herdadas ou construídas.”
“As crenças, ou seja, a Igreja, está decaindo por causa das inovações da tecnologia.”
“....é mais convincente a RAZÃO do que algo mítico, religioso, algo que não se comprova cientificamente. A razão é palpável, visível, na religião só se tem fé.”
Esses resultados, apesar de serem considerados numericamente inexpressivos, podem sinalizar uma mudança de pensamento em relação as outras gerações.